Comitê de saúde: a pauta de 60 minutos que transforma relatório em decisão
Quem senta à mesa, o que entra na pauta, quais indicadores merecem os primeiros dez minutos e como registrar decisões para que o próximo comitê comece de onde o anterior parou.
Comitê não é apresentação de relatório
O erro mais comum é tratar o comitê de saúde como a hora de mostrar o relatório. O relatório deve chegar antes, por escrito. A reunião existe para decidir. Quando os sessenta minutos são gastos lendo indicadores, o comitê termina sem decisão registrada e o mês seguinte repete o anterior.
Regra: nada entra na pauta sem uma pergunta de decisão associada. "Sinistralidade em 81,7%" não é pauta. "Aprovamos a extensão do programa osteomuscular para a logística?" é.
Quem senta à mesa
- RH ou benefícios: dono do orçamento de saúde e da relação com o colaborador.
- SESMT ou medicina do trabalho: dono da frente ocupacional, dos afastamentos e do eSocial.
- Financeiro: quem valida linha de base, custo evitado e o impacto da renovação no orçamento.
- Corretora: quem leva o cenário para a operadora e conduz a negociação.
- Frente técnica: o time que leu as bases e apresenta a recomendação, com o corpo clínico disponível para a discussão de casos agregados.
A operadora entra em comitês específicos de renovação ou de casos, não no comitê mensal. Diretoria entra no comitê executivo semestral.
A pauta de 60 minutos
| Tempo | Bloco | Pergunta de decisão |
|---|---|---|
| 0 a 10 min | Três indicadores que mudaram | Algum deles muda a prioridade do ciclo? |
| 10 a 25 min | Plano de ação: previsto × realizado | Alguma ação precisa de mais recurso, prazo ou deve ser encerrada? |
| 25 a 40 min | Eventos sentinela e casos agregados | Há conduta pendente que depende de aprovação da empresa? |
| 40 a 50 min | Renovação e operadora | O cenário de defesa está atualizado com os dados do mês? |
| 50 a 60 min | Decisões e responsáveis | Quem faz o quê até o próximo comitê? |
Os três indicadores dos primeiros dez minutos
Não são sempre os mesmos. São os três que mais se moveram em relação ao mês anterior ou à meta. Em um mês pode ser a sinistralidade acumulada, a concentração de custo e os dias perdidos por afastamento. Em outro, o número de internações prolongadas, o custo evitado realizado e a taxa de adesão ao programa de crônicos. O relatório completo traz todos; o comitê olha os que exigem decisão.
Como registrar para que o próximo comitê comece de onde este parou
Cada decisão vira uma linha com quatro campos: o que foi decidido, quem é o responsável, o prazo e o indicador que vai mostrar se funcionou. Essa linha entra no plano de ação com linha de base e meta, e é a primeira coisa que o comitê seguinte revisita. Sem isso, as decisões evaporam entre uma reunião e outra.
É esse registro que permite, no comitê executivo semestral, apresentar custo evitado previsto e realizado por ação, e não uma lista de iniciativas sem desfecho.
O que não entra no comitê mensal
- Dado nominal de qualquer beneficiário. O comitê vê agregados; o caso individual é tratado pela equipe médica com a operadora, sob sigilo.
- Detalhe operacional da auditoria: volumes e valores entram; contas específicas, não.
- Discussão de reajuste sem cenário: o comitê discute o cenário técnico, a negociação acontece com a corretora e a operadora.
Escrito pelo time clínico e atuarial do Consultório Corporativo, a partir da operação com empresas e corretoras. Veja o formato que o comitê recebe no relatório gerencial de exemplo ou agende um diagnóstico.